Uma velha entrevista com Jake Gyllenhaal

A entrevista abaixo foi realizada na época do lançamento do filme Zodíaco no Festival de Cannes em 2007. Resolvi postá-la agora para aproveitar as novas imagens de Zodíaco que foram postadas no IHJ nesta manhã.

10 perguntas para Jake Gyllenhaal



O ator de Zodíaco, indicado ao Oscar de coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain, em 2005, fala dos bastidores do longa-metragem de David Fincher e da diferença entre interpretar alguém real e fictício

Por Denerval Ferraro Jr

Época - O que o levou a topar esse projeto?

Jake Gyllenhaal - Obviamente, a chance de trabalhar com David Fincher. Já fazia um tempo que estávamos tentando fazer um filme juntos. Quando esse projeto surgiu, ele me procurou e aceitei na hora. Na época, os executivos queriam um nome mais conhecido para o papel, mas David me queria.



Época - Como você construiu o personagem?

Jake -
Não sabia muito da história. Claro, li o livro de Robert Graysmith e, tendo David como diretor, recebi um calhamaço de mil páginas com todas as informações sobre o caso, fotografias da cena dos crimes, documentos policiais, tudo. Em termos de pesquisa, estávamos bem municiados. Depois, encontrei com o Graysmith ao vivo, filmei-o, perguntei várias coisas.



Época - É a terceira vez que você vive no cinema pessoas reais, ou melhor, os autores dos livros nos quais se basearam os filmes. É mais difícil do que interpretar personagens fictícios?

Jake - Desta vez foi. Primeiro porque o filme lida com pessoas que foram mortas sem piedade e isso me obrigou a interpretar o personagem com a maior exatidão possível. Em segundo lugar, David sempre apontava coisas que tinha aprendido com o cara na vida real, só para me mostrar como eu estava errado (risos). Ali estava o exemplo vivo de como eu poderia melhorar. Foi bem duro, o filme mais duro que já fiz. Não foi fácil viver no mundo que esse cara vivia, por 120 dias.



Época - É complicado trabalhar com um diretor obcecado por detalhes?

Jake -
É uma faca de dois gumes. É ótimo saber que ele faz qualquer coisa para rodar um filme interessante. Mas emoções não são detalhes e te levam a caminhos inesperados, e você não pode controlá-las. Nesse sentido, um diretor controlador não é nada fácil (risos).



Época - Você já se viu obcecado por algo, como seu personagem?

Jake -
Não. Esse tipo de obsessão tem a ver com a dificuldade de enxergar a si mesmo por dentro. Então você se foca em coisas externas. Eu prefiro sempre descobrir o que está rolando dentro de mim.



Época - Por que você acha que o filme não foi bem nas bilheterias americanas?

Jake -
Bem, o filme tem duas horas e quarenta! Ver um filme longo é um tipo de comprometimento e não acho que a platéia, em geral, queira se comprometer com uma fita assim longa. A não ser algo baseado em Senhor dos Anéis, ou qualquer outra coisa que tenha toneladas de ação. Zodiac é, fundamentalmente, um filme cerebral. Talvez seja muito para a platéia.



Época - Por ser um filme de David Fincher, será que o público não esperava mais sangue?

Jake -
Talvez eles quisessem outro Seven. Mas David gosta de sacanear as pessoas e dessa vez ele sacaneou a platéia. Acho que ele pensou “Ah, é isso que vocês estão querendo? Então é isso que vou dar a vocês”. (risos). Eu acredito que, quando as pessoas mergulham na história, elas apredem muito com o filme.


Época - Como os escolhe seu roteiros?

Jake -
Tenho de sentir que vou embarcar numa viagem fascinante. Sempre foi assim e não creio que vá mudar. Recebo muitos roteiros, mas lutar pelos bons é que é a maravilha do negócio.



Época - Pretende voltar ao teatro?

Jake -
Teatro está sempre na minha cabeça. Muito em breve vou voltar o teatro. É a maior satisfação para mim estar no palco. Não financeiramente, mas em termos criativos.



Época - Como você lida com tanto interesse na sua vida pessoal?

Jake -
É meu trabalho, sabe. Muitas vezes é difícil não trazer trabalho para casa, mas você tem de aprender a separar as coisas. Mas às vezes sinto como se estivesse na escola primária. Parece que estou no pátio, feito um garotinho. Daí chegam as meninas e dizem (imitando a voz de uma garota) “A Jude gosta de você”, e depois saem correndo pela escola gritanto “O Jake gosta da Jude!” (risos). Quando os comentários chegam a esse ponto, eu me lembro que sou um adulto, e não um menino no pátio da escola. E tem outra coisa: eu escolhi esse trabalho e sei que essas coisas fazem parte - mas tem outras que são compensadoras. Então, não fico reclamando, pois é perda de tempo.





Fonte: Época e para ver mais: IHJ

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